Monday, July 23, 2007

Despertar


...Com o tempo, percebi que os meus interesses se distanciavam da maioria das pessoas. Meus colegas universitários, agora amigos, buscavam sucesso, dinheiro, carro, casas, notoriedade e eu buscava uma vida melhor no planeta. Constantemente, via-me triste pelo comportamento leviano dos seres humanos diante da natureza. Ficava angustiada vendo desmatamentos, maldades com animais (rinhas, corrida de cavalos, circos com os animais selvagens, rodeios etc.). Quando lia sobre pedofilia, agressões familiares aos filhos, falta de amor pelo planeta Terra, etc. ficava desanimada. Já tinha que lidar com as minhas próprias limitações, erros e desafios e ainda carregar essa descrença com a consciência humana. Mas o que sempre me intrigou foi a dificuldade de encontrar meus pares. Tantos amigos, colegas (escola e trabalho) e principalmente amores, estavam distantes das minhas inquietações. Parecia que eu falava grego. Lembro-me de um constrangimento que acabei promovendo quando, durante uma festa infantil numa escola, interrompi a cantoria do “atirei o pau no gato” e fiz um discurso para evitar que aquelas crianças jamais desrespeitassem os felinos. Logo os meus amados felinos que já sofreram todo o tipo de preconceito, desde o fato de serem “pretos” até rejeitados por Deus por serem “traiçoeiros”. Não esquecendo também de “serem transmissores da asma”. Na época da ECO 92, realizada no Rio de Janeiro, levava a fama de “ecochata”. Paciência, um dia alguém vai me ouvir...E hoje, lendo algumas mensagens do Arcanjo Miguel e relembrando as orientações dos meus amigos multidimensionais, pude entender e sossegar o meu coração. Tinha que ser assim. Eu faço parte dos chamados guerreiros da ”primeira onda”. Os que levaram os maiores caldos e cachotes nessa arrebentação. Sinto um pouco de cansaço, confesso. Não tive nenhum real acompanhante nessa jornada. Os que tive tentaram me sabotar. Ossos do ofício. Mas com as mensagens constantes que teremos que nos aproximar de nossas almas afins, para que possamos nos fortalecer, penso que finalmente começarei a descansar mais. Não é muito fácil insistir em defender algo que a maioria não se importa. Mas muita coisa tem mudado. Acho que, ultimamente, os moradores do planeta Terra acordaram por medo. Não acredito no despertar de todos em relação ao amor pelo planeta. A maioria está com pavor de viver precariamente ou de haver escassez de comida e água. Pensam na sua sobrevivência e de seus confortos.Não sou pessimista quanto ao futuro do planeta, pois sempre disse que ele sobreviveria aos ataques covardes dos predadores humanos. Sinto apenas que precisou chegar onde chegamos para que possamos nos unir. Não se iludam, as 400 mil pessoas que lotaram a praia de Copacabana, no dia 07 de julho, por ocasião do LIVE EARTH deixaram um saldo, ao final do show, apesar das sacolas de plástico biodegradável distribuídas pelos voluntários, de pontas de cigarro e copos de plástico. Só não havia mais latinhas de cerveja e refrigerante pelo chão porque era grande a quantidade de catadores de alumínio. Despertar não é fazer oba-oba, mas comportar-se verdadeiramente como um morador responsável pelo bem-estar dessa casa linda chamada Terra!
por Vera Ghimel -
Foto de Rita Holbeche Beirão - Baleal c/ as Berlengas ao fundo

4 comments:

Meg said...

Greentea, tenho um pequeno desafio para ti, lá em casa...
Beijinhos

Francis said...

que grande verdade.

é a eterna hipocrisia humana, é bonito falarmos, aparecermos...mas na realidade, no aconchego do lar, na nossa privacidade, não fazemos rigorosamente nada.

são as pessoas convictas, que estão dispostas a sofrer e a prescindir, que fazem algo util, o resto é a futilidade e a facilidade de dizer sem fazer, sob o anonimato.

Hindy said...

Beijinhos

Marian said...

A Vera Ghimel diz sempre coisas importantes.
Muitos dos que se precupam com o que outros preferem não pensar, levam a fama de 'ecochatos'... Bom, penso ser melhor eco-chato que eco-irresponsável!
Beijos para ti