Monday, January 21, 2008

O gato


Numa noite de chuva, no Inverno passado , ouvimos meados aflitivos. Depressa percebemos que vinham das condutas da água, debaixo dos passeios. Estava lá um gato que fugiu assustado quando abrimos as grelhas para ele saltar. Andámos nisto vários dias até que um vizinho mais habilidoso e paciente pôs uma tábua pelo buraco abaixo e ele convenceu-se a subir. Comeu e bebeu, limpou-se e ficou abrigado num carro velho que há naquela rua. Os vizinhos revezam-se para lhe dar de comer, para lhe dar mimos e festas e ele passeia tranquilamente pela rua, põe-se no encalce de pardais e ratos, como compete a qualquer gato. A Teresa quiz adoptá-lo. Ele conhece-lhe o carro à légua e segue-a até à entrada de casa, mas não quer entrar. E das raras vezes que ela o levou, mal se fecha a porta ele fica assanhado. Por isso continua na rua, bem tratado, muito amado mas de portas abertas. Está gordo, lustroso e tem um ar feliz!


Um dioa destes , ao chegar a casa , vi alguém perto do carro que lhe serve de casa. Esse alguém falava ao telemóvel anunciando que estava ali o gato, que encontrara o gato e acocorado no chão procurava convencer o animal a sair debaixo do carro, mas o gato nem se mexia...

Quando desligou, disse-lhe que o gato estava ali há muitos meses , tinha sido encontrado dentro da sargeta e várias pessoas o tratavam - por isso estava tão bonito!

"O gato é da minha filha, foi para a Suiça de férias e deixou o gato fechado para eu lá ir tratar dele; quando cheguei estava tão assustado que fugiu porta fora e nunca mais o vi!"

Pois... - disse eu, desejando mentalmente que o gato não tornasse a ir com ele e percebendo demasiado bem porque motivo o gato não aceitava ficar na casa da Teresa.

O homem continuou a insistir de pau em riste para empurrar o gato. Ainda o ouvi dizer : ó meu cabr~... então não sais daí?

Nessa noite , não vi mais sinais do gato nem do homem nem do carro em que ele vinha. Imaginei o pior.

Mas na manhã seguinte, o Farrusco apareceu atrás de mim, com os seus miaus dengosos e os seus olhos meigos, expressando a sua ternura por aqueles que verdadeiramente o tratam , prezando um bem que nunca mais vai deixar de ter : a sua liberdade!


Que os humanos reflitam nisto : a liberdade pode ter um preço, mas vale mais que todos os grilhões do mundo se eles nos acorrentarem ao zelo excessivo dos poderosos que nos querem acorrentar a falsos amores, a relações dominadoras e enganosas.

18 comments:

O Profeta said...

MAis um texto tremendo querida amiga e...um tema para meditar...


Inventei uma cidade colorida
Pintei um lago ao pé da tua porta
Coroei-te com diadema de sal
Lancei à sorte esta folha já morta


Boa semana



Doce beijo

greentea said...

profeta

meditei nele , sim...

o gato preferiu ficar ao vento e à chuva, no abrigo de um carro velho ou de um ou outro alpendre onde seabriga e ser mimado e acarinhado por nós todos, do que ir para uma casa fechada com room-service a horas certas mas mais nada , apenas a prisão de uma casa só para ele...ou uma marquise ou uma casa de banho exigua...

125_azul said...

Tu andas poderosa, arrasadora, iluminada! Adorei o comentário de ontem no 125, dava um post fantástico! Mas os nossos greens não são todos assim? beijos, dia feliz!

amigona avó e a neta princesa said...

Minha amiga costumo dizer que há animais abandonados tão felizes! Basta que vivam em paz e ninguém os maltrate...conheço vários assim...um dia deste conto um caso que está aqui bem perto de mim! O pior de tudo é a procriação!

Beijo...

greentea said...

125


ando arrasadora , sim

a mim é que não põem grilhetas nem me convencem de falsos amores , ó sim ó sopas...
Com zen , ayurvédica, meditação ou seja lá o que fôr não me levam a mal nem com falsas promessas !

e quem não est´+a bem que se mude!!

greentea said...

amigona

é o caso deste menino q anda por aqui pela rua há quase um ano e todos o tratamos com meiguice e ternura e elçe simplesmente não quiz voltar para os antigos donos que decerto alguma lhe pregaram !!!!

Sophiamar said...

Mas eu não posso estar tão afastada do teu blogue! Adoro animais, tu contas histórias comoventes,tu falas deles como eu gosto!
A liberdade não tem preço, amiga! Nem a liberdade nem o carinho daqueles que no-lo dão sem exigências.

Beijinhossssss

Pitanga said...

Mas que gatinho mais esperto, sô!Deve comer umas sardinhas assadas vez em quando,um leitinho quente em noites frias...e lambe os bigodes.

beijinhos

Mocho-Real said...

Concordo com a conclusão do texto e afirmo que uma vez mais os animais nos dão grandes lições de vida.
Ah! E não me venham com cantigas de que só o cão conhece o dono!

Um abraço.

Bloga Comigo said...

Talvez tenha vindo para ficar se quiseres blogar comigo. Eu quero blogar contigo.
Bjos

Hindy said...

Tens razão!

Beijinho hindyado

greentea said...

sophiamar


a liberdade não tem preço , pois não !
e eu nem deanilhas gosto que nem sou capaz de usar anéis nem pulseiras nem relógio ...
manias ...

greentea said...

pitanga

lá esperto foi ele , claro.

Come ração à farta, comidas de gato e de vez em quando um peixinho cozido ou assado e passeia livremente por onde bem quer sem donos a fecharem-no dentro de casa qd vão de férias !
E mimos não lje faltam...

greentea said...

mocho

cada vez gosto mais dos animais , q o ser humano deixa um rasto de desilusão e falso amor atrás dele

greentea said...

bloga

porque não se o teu blog fôr interessante ????????????

greentea said...

hindy

estás bem ?
claro q tenho rezão. Grilhões e correntes é que nunca

Marian said...

Gatinho inteligente!
E quem está bem não se muda...
:-)
Beijinhos para ti

greentea said...

marian
por acaso este não é um gato preto mas tigrado e está lindissimo e esperto, claro . Tem várias madrinhas e o padrinho que o salvou da sargeta e é um doce , às vezes põe-se no meio da rua a fazer graças e a rebolar-se de barriga para o ar...
claro q nunca mais quiz ir para a casa do antigo dono ...