Friday, February 22, 2013

narcisos

 hoje de manhã, depois da chuva, encontrei no meu quintal
 estes três narcisos

Sunday, February 17, 2013

O grande desafio


Há sete anos publiquei este poema. Hoje, o DESAFIO mantém-se ...



Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006

 

O desafio


Mas talvez um dia
quando as buganvilias alegremente florirem
quando as bimbas entoarem hinos de madrugada nos capinzais
quando a sombra das mulembeiras for mais boa
quando todos os que isoladamente padecemos
nos encontrarmos iguais como antigamente
talvez a gente ponha
as dores, as humilhações, os medos
desesperadamente no chão
no largo - areal batido de caminhos passados
os mesmos trilhos de escravidões
onde passa a avenida que ao sol ardente alcatroámos
e unidos nas ânsias, nas aventuras, nas esperanças
vamos então fazer um grande desafio...


Poema de António Jacinto in Antologia Temática da Poesia Africana

Friday, February 15, 2013

framboesas do meu quintal

 cortou uma pernada que estava meio caída no Chão da Laja; trouxe-a bem humedecida para Lisboa e Carinhosamente plantou-a num dia de Lua Cheia
 a plantinha cresceu, agradecida pela terra fértil e pela água, pelo Sol de todas as manhãs e
 pelas mãos que a plantaram
 qualquer dia está assim 
e quando houver tantos frutos em cada pernada, poderá colhê-los, fazer licor, doce, tarte, cheesecake, crepes e tudo o mais que lhe venha à cabeça
quem dera  venha já a época das framboesas, dos frutos silvestres, dos morangos e das cerejas

Thursday, February 14, 2013

Chocolate


O Chocolate...

...tem o mesmo composto quimico que é libertado no orgasmo. 50% das mulheres confessam preferir chocolate a sexo...


Os cientistas têm vindo a descobrir que o chocolate provoca a libertação de endorfinas, as "mensageiras da felicidade" do corpo, e encontraram
 também no chocolate vestigios de feniletilamina, um composto quimico libertado durante o orgasmo. O resultado surpreendente de um inquérito revela que 50% das mulheres confessam preferir chocolate a sexo. Os homens que em ocasiões especiais aparecem com uma caixa de chocolates de luxo estão , pela certa, à "procura da paixão".

Talvez estes homens tenham interesse em saber que a concentração do "quimico do amor" é nove vezes superior no salame, se bem que ainda ninguém tenha dito que as mulheres preferem salame a sexo.


As descobertas dos cientistas têm vindo a reforçar a ligação que existe entre as mulheres e o chocolate : nos primeiros meses da gravidez, a molécula de anandamida desempenha um importante papel na comunicação entre a mãe e o feto. Isto é o que os maias poderiam ter dito no século VII, quando veneravam a vagem do cacau como sendo um simbolo de vida e fertilidade e o fruto tinha lugar nas cerimónias religiosas.
Também os astecas acreditavam na capacidade de o chocolate transmitir conhecimento, poder e saúde. Mantiveram a tradição maia de presentear a deusa da fertilidade, Xochiquetzal, com chocolate.
Cristovão Colombo introduziu a semente do cacau na corte dos Reis Católicos. Quando por volta de 1528 o conquistador Fernando Cortez se lembrou de juntar açucar ao amargo elixir do chocolate , começou realmente a loucura.
Ao longo dos secs XVII e XVIII o chocolate foi avançando de país em país : dentro do baú do dote de Ana da Áustria (filha de Filipe II de Espanha) quando viajou para França para casar com Luis XIII ...ou seguindo Carlos V quando este se mudou para Viena em 1711.
Durante muitos anos o chocolate permaneceu uma delícia reservada à aristocracia euroeia. Paralelamente à sua expansão, foi crescendo a má reputação do chocolate enquanto afrodisiaco..
Em 1868, os irmãos Cadbury introduzem a primeira caixa de chocolates. Graças ao contributo destes homens o chocolate é hoje uma indústria que move milhões e constitui uma obsessão à escala mundial.
O chocolate é delicioso e comer coisas deliciosas deixa as pessoas bem-dispostas. Há quem diga que o chocolate é um substituto do amor. E, bem vistas as coisas, o chocolate é muito mais fiável do que qualquer amante...
(Excertos de um artigo de Judith Finn publicado no Diario de Noticias de 11Fev2006)

Monday, February 11, 2013

O PRETO

O Preto era um gato vadio. Vivia aqui pela rua , alimentado pela vizinhança. Era simpático e dedicado a quem o tratava. Fez amizade com o Browny e gostavam de brincar juntos. Ultimamente, andava muito magro e com fraco aspecto. Num dia de invernia, o sr Zé pegou nele e levou-o para casa . Ia faminto e encharcado. Petiscou alguma coisita, aconchegou-se numa caminha quente e abrigada talvez pela primeira vez na vida.  Ficou assim alguns dias, comendo cada vez menos, emagrecendo cada vez mais. Depois...saltou para o céu dos gatos e não voltou mais. Por lá andará em doces ronrons agradecidos a quem o albergou, namoriscando as companheiras que por lá encontra e gozando dos rendimentos. Não tem mais fome, nem mais frio, tem agora abrigo permanente! Mas, nós por cá, sentimos a sua falta.

Friday, February 8, 2013

ao longo do Tejo

Sexta-feira é sempre um dia complicado e Paula tinha muita coisa para acabar e despachar. Entrou no carro com a sobrinha, deixaram as crianças na escola e seguiram até ao local de trabalho, na orla da serra , a uns quarenta minutos de distancia. Gostava dos miúdos que os vira nascer e também da mãe. O dia passou bem rápido e apesar de tudo conseguiu fazer tudo o que era necessário, já que só voltaria  no final do mês. A tempestade apanhou-as no caminho de regresso, chovia torrencialmente e o vento não era meigo, àquelas horas da noite. Amanhã era outro dia e voltaria a Lisboa, home sweet home...
Levantou-se cedo, o sol despontava no horizonte e fazia brilhar as pequenas gotas de água que pingavam das telhados, dos fios. Os vidros dos carros estavam todos geados.
Arrumou as coisas, despediu-se das cunhadas e meteu-se a caminho. Seriam dez da manhã e queria ir almoçar em casa, a 360km . Por companhia  teria apenas os seus dois cães que dormiam no banco de trás e pouco lhes importava se a dona estava ou não com as pressas : eles iam bem confortáveis.
 Passou a Covilhã, passou o Fundão e a Gardunha, galgou Castelo Branco. Quando começou a avistar o Tejo, ficou mais descansada. Parou um pouco em Abrantes, para descansar e os cães darem uma volta. Chegaria a tempo para o almoço de anos, sempre gostara de conduzir, lamentava nunca ter participado no Paris-Dakar, mas agora já era tarde demais. Estrada fora , ia organizando o dia, esquematizando ideias, trabalhos, situações, projectos  Tudo acontecia na sua cabeça, enquanto visualizava a distancia que lhe faltava percorrer .Sempre fora muito independente, mas os últimos três anos tinham acabado de a vacinar, quando o marido aceitou um cargo numa terra distante! O dia estava frio mas o sol brilhava, não havia chuva e os campos começavam a criar uma tonalidade verde, depois de sair da zona rochosa, da imensidão dos penhascos de granito.
 No dia seguinte, a vista do Tejo foi bem outra, já perto do mar, na Praia da Poça. O dia quente e cheio de sol convidava a uma ida à praia, a uma caminhada paredão fora, a sentar na areia, a conversar tranquilamente, que ninguém levava um livro para ler. Passou-se a tarde. Eram horas de regressar, de
apanhar a roupa estendida na rua, de passear os cães, de preparar qualquer coisa para jantar, porque as rotinas são assim mesmo , por muito que se não queira. A segunda-feira chega célere e sem contemplações e não há volta a dar.
 Retomam-se os horários, as idas e vindas, as saídas à pressa, as filas de transito, as ausencias  de casa, a burocracite entediante de certos trabalhos que temos de assinar, o Tejo aqui tão perto rindo do nosso desassossego...

Saturday, February 2, 2013

José

 estava na aldeia, para acabar um trabalho. Foi levar o marido ao comboio que tinha uma reunião em Lisboa. Deu uma volta pela cidade, aproveitando a tarde ensolarada. Entrou no shopping, na livraria, fez algumas compras que precisava. Voltou a casa, que por uns dias era só dela. Os cães dormiam à lareira, caía a noite.
 Sentou-se para trabalhar no computador. Abriu o mail e reparou que um JR lhe pedia acesso no linkedin. Ficou na dúvida que o do Dallas não era, decerto. Foi ver o perfil mas isso deixou-a ainda mais confusa. Seria o mesmo, aquele JR que conhecera há uns trinta anos atrás e a quem perdera o rasto por completo?
Reviu o perfil, aceitou a ligação e enviou um mail para aquele destinatário desconhecido (?) :"diz-me algo que me confirme que és tu". Homens são homens e não têm aquela perspicácia feminina mais refinada e astuta.
Resposta pronta do outro lado : - Não sei quem és nem conheço o teu mail...
Mas com o mail vinha uma foto do próprio e aí não teve qualquer dúvida, era ele mesmo, uns anitos mais velho, uns cabelos brancos a mais
Sentiu uma profunda alegria, uma enorme serenidade. Não gosta de conversas que ficam pela metade nem de relações cortadas de forma abrupta. Depois, passados tantos, tantos anos, quando a maturidade ou a velhice nos cerca, ela defende que os conflitos devem dar lugar ao diálogo, ao entendimento , ao esclarecimento. Para que não coexistam más energias que por sua vez provocam brechas ainda maiores nos relacionamentos. Claro que há situações em que nunca mais se volta a olhar para trás, o assunto fica encerrado de uma vez por todas. Mas não com José.
Iriam encontrar-se, sim . Num qualquer destes dias, para se reverem , para conversarem tranquilamente ou para subirem simplesmente ao cimo de um morro, como já antes o tinham feito.
Quando de manhã se levantou, a casa estava coberta de neve. E a aldeia . E a serra. Um manto branco de serenidade...