Sexta-feira é sempre um dia complicado e Paula tinha muita coisa para acabar e despachar. Entrou no carro com a sobrinha, deixaram as crianças na escola e seguiram até ao local de trabalho, na orla da serra , a uns quarenta minutos de distancia. Gostava dos miúdos que os vira nascer e também da mãe. O dia passou bem rápido e apesar de tudo conseguiu fazer tudo o que era necessário, já que só voltaria no final do mês. A tempestade apanhou-as no caminho de regresso, chovia torrencialmente e o vento não era meigo, àquelas horas da noite. Amanhã era outro dia e voltaria a Lisboa, home sweet home...
Levantou-se cedo, o sol despontava no horizonte e fazia brilhar as pequenas gotas de água que pingavam das telhados, dos fios. Os vidros dos carros estavam todos geados.
Arrumou as coisas, despediu-se das cunhadas e meteu-se a caminho. Seriam dez da manhã e queria ir almoçar em casa, a 360km . Por companhia teria apenas os seus dois cães que dormiam no banco de trás e pouco lhes importava se a dona estava ou não com as pressas : eles iam bem confortáveis.
Passou a Covilhã, passou o Fundão e a Gardunha, galgou Castelo Branco. Quando começou a avistar o Tejo, ficou mais descansada. Parou um pouco em Abrantes, para descansar e os cães darem uma volta. Chegaria a tempo para o almoço de anos, sempre gostara de conduzir, lamentava nunca ter participado no Paris-Dakar, mas agora já era tarde demais. Estrada fora , ia organizando o dia, esquematizando ideias, trabalhos, situações, projectos Tudo acontecia na sua cabeça, enquanto visualizava a distancia que lhe faltava percorrer .Sempre fora muito independente, mas os últimos três anos tinham acabado de a vacinar, quando o marido aceitou um cargo numa terra distante! O dia estava frio mas o sol brilhava, não havia chuva e os campos começavam a criar uma tonalidade verde, depois de sair da zona rochosa, da imensidão dos penhascos de granito.
No dia seguinte, a vista do Tejo foi bem outra, já perto do mar, na Praia da Poça. O dia quente e cheio de sol convidava a uma ida à praia, a uma caminhada paredão fora, a sentar na areia, a conversar tranquilamente, que ninguém levava um livro para ler. Passou-se a tarde. Eram horas de regressar, de
apanhar a roupa estendida na rua, de passear os cães, de preparar qualquer coisa para jantar, porque as rotinas são assim mesmo , por muito que se não queira. A segunda-feira chega célere e sem contemplações e não há volta a dar.
Retomam-se os horários, as idas e vindas, as saídas à pressa, as filas de transito, as ausencias de casa, a burocracite entediante de certos trabalhos que temos de assinar, o Tejo aqui tão perto rindo do nosso desassossego...
Showing posts with label Castelo Branco. Show all posts
Showing posts with label Castelo Branco. Show all posts
Friday, February 8, 2013
Subscribe to:
Posts (Atom)





