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Friday, April 22, 2016

mindfulness



PSSST…..Vai ser submetido a uma ostomia? Ou algum familiar, ou conhece alguém que vai?
Porque lhe foi-lhe diagnosticado um tumor maligno do colon, do reto ou qualquer outro , ou por qualquer outro motivo?
Quer um conselho de alguém que passou por isso e muito mais…..
•Nunca se demita, nunca deixe de viver, de lutar.
•Uma (ile)ostomia não é o fim, é apenas uma transformaçãosdo nosso corpo mas todas as outras funções se mantémmantém.
Resultado de imagem para praia•Pode precisar de apoio psicológico ou de um
      dietista que o ensine a conviver com estas situações….
•Desdramatize . Um saco a mais colado na barriga
     não é nada do outro mundo, aproveite os bons momentos      e rodeie-se de pessoas positivas e      calorosas.
Resultado de imagem para gerberas• Deixe de lado a negatividade,  aproveite o sol e a

     Praia ……


Trate das suas flores 

Resultado de imagem para passeio de barco a remosLeia, coza, borde, faça patchwork, pinte os móveis, cuide do seu animal de estimação,  visite locais novos, conviva, saia com a familia e os amigos
Não se isole
Dê um passeio de barco a remos
Pinte o mundo com outras cores ,  em mindfulness
Resultado de imagem para pintar mindfulnessResultado de imagem para pintar mindfulness

Today and your thoughts about today are two separate things. Try to spend more time in awareness of the day's moments (what you see, hear, touch etc.) than lost in thought. Hoje e seus pensamentos sobre hoje são duas coisas distintas. Tente passar mais tempo na consciência dos momentos do dia (o que você vê, ouve, toca etc) do que perdido em pensamentos.

 Padraig O’Morain

Monday, September 23, 2013

Lagoa de Melides

Contemplava  o mar imenso daquela praia e revia a sua vida no desfazer de cada onda que chegava até à praia, na outra que em seguida se formava  e mais outra e outra e outra…

Era assim a vida, a sua vida. De repente, tudo tomava um novo curso não se sabia a dimensão de cada nova onda que se formava, o modo como se espraiava pela areia, como iria roçar-se nos seus pés,  se vinha doce ou agressiva para a deitar abaixo. As suas pernas agora não tinham força ou tinham muito menos. Ela que tanto gostava de mergulhar nas ondas de qualquer mar, agora ficava-se pela rebentação , pela frescura da maré , pela suavidade das ondas a desfazerem-se na praia. Ou  sentava-se simplesmente à beira-mar.
A sua vida mudara radicalmente desde aquele dia em que abriu o relatório médico e se debateu com a frontalidade dos termos técnicos : neoplasia maligna , carcinoma. Era um sábado, 28 de junho e nada mais podia fazer senão aguardar até segunda-feira. Mas telefonou para Cristina, médica sua amiga que igualmente tivera cancro. Explicou-lhe tudo e disse o que era urgente tratar.  Foi fazer todos os exames indispensáveis , sem se desesperar, sem verter uma lágrima, como se fosse fazer mais uma viagem ou apanhar mais um avião com destino desconhecido. Ouviu, escutou o que lhe disseram, leu, informou-se. E ensimesmada como é quando quer alcançar qualquer coisa, meteu na cabeça apenas uma ideia : - vou-me curar!
Começou a quimioterapia 24H/dia durante seis semanas e a radioterapia em simultâneo cinco dias  por semana. Todas as terças feiras fazia análises e mudava o reservatório da quimio, processo relativamente simples pois que tinha um implantofix.  Mas era doloroso entrar na sala da quimio, onde tantos pacientes chegavam a ficar três e quatro horas para fazer as suas sessões. Via-se gente de todas as cores, de todas as idades, velhos e novos, pretos e brancos, homens e mulheres. Ninguém falava entre si, ninguém queria falar do seu mal, da sua doença, alguns trocavam algumas frases com o familiar que os acompanhava, por vezes um filho, a esposa ou o marido, algum irmão; alguns levavam o almoço de casa , como aquele casal de idosos que vinha de muito longe, outros comiam do que as voluntários lhes ofereciam; alguns comeriam talvez ali a sua única refeição…
Aquilo chocava-a , muito mais que a sua doença. As suas análises estiveram sempre boas, o seu aspecto também, não perdeu um Kilo nem um cabelo. Mas cada semana que passava lhe custava mais e mais fazer o tratamento. A radio queimava-lhe a pele, a quimio provocou-lhe uma infecção intestinal traduzida num caudal permanente duma diarreia que não parava, impossível de controlar. A tensão arterial desceu a níveis  impensáveis e mal se tinha em pé; as análises estavam péssimas e o médico mandou suspender de imediato a quimio . Passou um dia no hospital a levar soros para recuperar.  À noite , estava de novo em casa, jantou qualquer coisa e ainda arranjou forças para ir passear os cães, para ir tratar do Leão da Rodésia abandonado na mata. Dormiu tranquila, sem o peso do frasco da quimio e o tubo sempre a bombar … Que alivio! Mais uma semana de radioterapia e tudo acabava. Mais análises , mais consultas e tudo estava dentro dos parâmetros “normais”.
- Só volta daqui a um mês para novas análises e novos exames, para marcarmos a cirurgia – disse o médico.  Vá de férias e aproveite estes dias para se recompor!
Foi o que fez. No dia seguinte, arrancaram para a Lagoa de Melides, um local calmo , tranquilo, com uma praia imensa, sem poluição, muito sossego, à parte o grasnar dos patos na Lagoa e das gaivotas, que não a proibiram de apanhar sol, nem de tomar banhos de mar, que evitasse  sim  as horas de sol mais forte, a exposição prolongada ao sol e que usasse um protetor 50 e que se alimentasse bem, muito peixe, muita fruta , muitos legumes e algum exercício, o que lhe fosse possível. Da casa avistava-se a Lagoa e a praia, o mar e ali mesmo ao lado havia um pinhal cheio de passarada, o que fazia as suas delicias. Cada dia era um novo dia para ela . Hoje já andava um pouco mais, já conseguia ir até à praia a pé, já não tinha tantas dores, a pele estava menos sensível, as queimaduras foram deixando de se sentir. Foi-se aventurando a entrar cada dia um pouco mais na água do mar. Não chegou a nadar nem a mergulhar porque não tem ainda forças para isso, mas aproveitou cada dia de sol e de mar, extasiou-se com o pôr do sol ou a lua cheia por entre os pinheirais, agradeceu ao Universo todas aquelas dádivas com que estava a ser contemplada. Contra os seus antigos hábitos, deitava-se cedo e dormia a sesta de tarde, descansava mais e aproveitava cada minuto de vida, cada oportunidade. E lia, lia sem cessar e estudava as personagens que lhe surgiam . Como o tempo tinha agora outro sentido , como eram por vezes longas as horas, levou consigo “O Quarteto de Alexandria”, um livro imenso em todos os sentidos mas que a deliciava.
Pensava em Sara, sua mãe, que morrera de cancro há mais de trinta anos atrás. E em Henrique que tivera cancro do pulmão e nos deixara aos trinta e sete anos. Lembrava José, com cancro da próstata, Cristina e Elisa com cancro da mama tal como a irmã de Milú. Mais recentemente, Isabel telefonara-lhe a dizer que António também tinha carcinoma e faria os mesmos tratamentos que ela e depois a mesma cirurgia. Lembrava esses e tantos outros, todos unidos por um  mesmo fio que as pessoas não entendiam. Mas não valia sequer a pena questionar porquê eu, porquê agora. ..
Cristina dizia que tínhamos de ser pragmáticos. Assim era . E tínhamos de aprender a viver de outra forma, a viver numa outra dimensão. E a dar testemunho. A falar da doença e do cancro e dos tratamentos sem tabus nem omissões ou palavras veladas a dissimular a essência da coisa. Tudo hoje é diferente de há trinta ou quarenta anos atrás, os tratamentos são outros, têm outras especificidades, as máquinas e os médicos dispõem de tecnologias inexistentes  outrora; a ciência evolui a cada passo com possibilidades infinitas. Nós e a nossa mentalidade também. A nossa determinação e a nossa postura  são decisivos também em situações destas. Mas sobretudo , falemos do assunto , clarifiquemos, deixemos sair o turbilhão de questões que nos avassalam, comuniquemos com os outros, com o Universo, com o Além, com as redes sociais através dos mails, dos blogues, dos facebooks para quem os tenha. Não deixemos calar a dor em nós, não permitamos que o pranto e o sofrimento nos invadam. Exteriorizemos!
                                                                                                                                  Saibamos aproveitar cada dia de sol, cada flor, cada sabor , cada perfume,
 cada onda do mar.






E inebriemo-nos com eles!