Monday, April 21, 2008

Ao Som do Coração

Quatro da tarde de uma qualquer sexta-feira. Um toque no telemóvel : - Mãe, estás em Lisboa?
Traduzido no real significado , isto quer dizer que a miuda está a sair da Fac e pretende saber da minha disponibilidade para a ir buscar a Sete-Rios. Digo-lhe que sim, que a vou buscar, que o trabalho não aperta muito e posso dar uma escapadinha e assim aproveitamos para conversar pelo caminho...
- Mãe, não queres ir ao cinema logo ?
Há vinte anos atrás (ou mais) eu morava em Lisboa City, ali bem perto dos Cinemas todos e não falhava uma , ia a quase todos, à tarde ou à noite. Depois, cansei-me da cidade e optei por viver na aldeia, junto do mar, a miuda nasceu e a minha vida alterou-se por força das circunstâncias. As saídas ficaram drasticamente reduzidas ao indispensável e aos compromissos familiares, às festas e espectáculos infantis , emocionando-me sempre com as representações em que ela participava, os bailados ou os desfiles ...
Não acho grande graça a bebés, sempre o disse. Achei graça à minha menina desde que a vi a olhar o mundo com ar de pessoa adulta (tinham acabado de a pôr em cima da minha barriga) mas a cada dia que passa e ela vai crescendo, valorizo-a mais e identifico-me mais com ela .
Tirar o Green de casa é quase uma tortura, numa sexta-feira pior ainda e ele mesmo nos empurrou para a porta, que fossemos nós as duas, que ele ficava tranquilo em casa com o cão para não o deixar só e que chovia torrencialmente e essas coisas que todos os homens dizem quando não lhes interessa o assunto.
Um granizo forte abanou o carro quando ela me perguntou se podia conduzir para aprender o caminho, mas mesmo assim chegámos a horas. Adorei o filme , ela também. Ao Som do Coração deviamos deixar-nos levar sempre mas mais do que isso senti o prazer de retomar minha vida, de visitar locais novos, de vaguear por Lisboa, minha terra, e de partilhar essa cumplicidade com a minha filha , vinte anos depois.
(Quando chegámos a casa, o Green lia um livro e o cão estava deitado perto dele. Ambos levantaram os olhos para nós, sorrindo ...)

15 comments:

125_azul said...

Eu e os meus piolhos, mal saio de casa à noite! Tão, tão raro... cinema? Só DVD! Ah, que bom a tua miuda já não ser piolha e te fazer companhia assim! beijinhos, boa semana

greentea said...

125
quando a miuda nasceu comprei na altura um leitor de videos porque agora ia ter muito tempo para ver filmes ia ficar em casa e mais não sei quê... acho que foi a miúda a primeira utilizadora do video quando já tinha 3 ou 4 anos! Deixei de ir ao cinema , ao teatro, a espectáculos, de sair , de conviver, a principio, depois foram os filmes infantis, os teatros, e as festas na escola, mais tarde os desfiles , os bailes de finalistas do 9º e do 12º, as praxes dos caloiros na Fac e agora estamos outra vez na onda do Cinema...
Os colegas e amigos deste lado do rio seguiram o seu rumo, ela foi a única a escolher aquele curso e a ser colocada naquela Faculdade, ao fim de semana quase todos vão a casa e dispersam-se, embora muitas vezes haja anos, festas disto e daquilo -quando não há inventam - convivios diversificados, muito ritmo, corridas e treinos no Parque Desportivo, beira-mar e afins..

beijinhos a ti - que os teus piolhos crescerão rápido e não tarda já o Migas está praxado de caloiro!

O Profeta said...

Um fabuloso texto com a tua sublime chancela...


Doce beijo

ELOS LEIRIA said...
This comment has been removed by the author.
as-nunes said...

Emocionei-me com a crónica. Da vida real, creio.
Há dias ouvi uma entrevista na Antena 1 em que uma jornalista, que diz que entrou no mundo dos blogues há pouco tempo (depois ouvi-a dizer que há 3 ou 4 anos!?). Que não apreciava as crónicas na primeira pessoa do singular (e do plural?! Também há quem escreva "nós" quando quer dizer "eu"). bla bla bla lá continuou a sra. jornalista (que até parece que participa no corta-fitas blog)...
Pois eu gosto de escrever. E não me repugna nada falar na 1ª pessoa do singular. E de assuntos mais íntimos, salvaguardados os naturais limites que qualquer pessoa com dois dedos de testa é capaz de os ver ou simplesmente pressentir.
E lembrei-me da minha menina (37 anos). Do momento difícil que vive, da minha vontade de a ajudar das formas que me forem possíveis (bem gostaria de a substituir na ansiedade e trabalho desmesurado com que vive, tudo ainda tão fresco).
Este fim de semana vou tomar conta dos seus dois filhos (12 e 9 anos), eu e a Zaida. A ver se ela consegue ultrapassar a mudança repentina que ouve na sua vida...
Deus me ouça...eu que sou uma ínfima parte de Deus! Sou?! Somos?!
Que bom é viver momentos com os nossos filhos e netos!...
Beijinhos
António

1/4 de Fada said...

Identifiquei-me imenso com o seu texto... Francamente, também nunca achei grande graça a crianças até ter os meus filhos... tanho uma ligação diferente com os dois, como seria de esperar, mas há um entendimento subterrâneo entre mim e a minha filha que é magnífico e que não tem nada a ver com amor. Obrigada pela emoção que me traz com o que escreve.

Pitanga Doce said...

Sei exatamente o sentimento que descreves. Cada palavra. É delicioso passear com eles, os filhos, que vêem o mundo com uma facilidade que nós não vemos. Já reparaste como tudo se consegue com eles? Vaga para o carro, ingressos para o cinema, lugar no restaurante. As portas abrem-se para eles como num passe de mágica e nós usufruímos disto quando estamos ao seu lado. Disto e do riso fácil que só a juventude tem. Adooooro sair com o rapaz. Felicito-te por essa deliciosa experiência e que se repita mais vezes.

beijos e...já sabias que eu, logo EUZINHA, ia escrever este calhamaço, não é?! Fã de carteirinha", que sou, do meu rapaz!

greentea said...

profeta

sublimes são os teus poemas !!

greentea said...

as-nunes

os blogues são nossos e fazemos deles o que bem queremos
não sou jornalista nem tenho pretensões embora já tenha colaborado em diversos jornais e revistas; o blog tem outras facetas q não os jornais e sobretudo fazem-se e escrevem-se como querenos, à nossa moda.
Quem não gosta não vem cá. Tá dito.

Quanto aos netos não os tenho, apenas sobrinhos netos e são por afinidade, um deles em especial gosta muito de ficar connosco e deixa a avó ou a mãe para vir para casa da Bé , como ele diz nos seus 3anos.
Dá gosto que eles nos procurem , tal como os filhos e é impportante manter esse relacionamento, essa comunicação/cumplicidade,
Um abraço para ti.

greentea said...

1/4 de fada

fui visitar-te e tb gostei muito do teu blog

beijinhos para ti

greentea said...

pitanga
com os nossos pais era diferente , não havia estas cumplicidades e conversas de hoje em que se fala de tudo - para eles de facvto certas situaçoes são extremamente simples vd telemoveis e computadores pois nasceram com eles e nós não ...o resto vem por acréscimo

Beijos - q ficariamos horas aqui a fazer deambulações ao tema .
O teu rapaz vai bem ?

Rose said...

Deixei um mimo para você no meu blog

Bj

Pitanga Doce said...

O meu rapaz vai bem. Está amando!

beijos

greentea said...

obrigada , rose
pela partilha

greentea said...

pitanga

se ele está amando está bem desde que não sejam falsos amores