
Helena entrou naquele Auditório que tão bem conhecia. Emocionava-se sempre , embora estivesse ali hoje por motivos diferentes. Há anos atrás viera pela sua filha, para assistir a muitas festas de Natal que todos os dezembros ocorriam. Agora vinha com outras funções, para assistir à festa dos filhos e dos avós dos outros. Mas não conseguiu evitar que uma lágrima lhe corresse pela face. Mulheres! ...
Na véspera, o dia fora longo. Depois do jantar , fora ainda com Alice às compras para o Cabaz de Natal dos Idosos. Trouxeram 85 garrafas de azeite e outros tantos kilos de bacalhau; na dispensa havia outras coisas para acrescentar, faltava apenas embrulhar tudo para que fosse entregue a cada um a tempo da Ceia. A biblioteca parecia mais uma mercearia, onde as duas se atarefavam na sua missão. Sábado de manhã tudo ficou pronto, elas eram muito despachadas e tinham brio naquilo que faziam. E faziam-no com muito amor.

Lembrou ainda o dia da festa , o lanche-convivio partilhado com os idosos, as canções entoadas, os risos, as danças, as conversas animadas, todos unidos numa única esperança, cheia de ternura.
Nem todos os dias é possível sorrrir assim para todos. Mas que nos saibamos unir e partilhar um abraço, um beijo, uma frase doce, um elogio, um perdão , um olhar... Para que Natal seja todos os dias !