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Wednesday, April 9, 2014

A contabilidade e o Poeta

A contabilidade traz o poeta à realidade e não permite que fique numa dimensão apenas transcendental que de exacerbada prática pode conduzir à alienação e loucura; por outro lado a poesia leva o guarda-livros/contabilista a outra dimensão, não normativa, sem códigos ou coimas, espiritual e livre.

Fernando Pessoa - Fonte : NothingandAll

Friday, April 26, 2013

Livro do desassossego - é o tempo da travessia

Cada um de nós é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmos. Por isso aquele que despreza o ambiente  não é o mesmo que dele se alegra ou padece.
Na vasta colónia do nosso ser há gente de muitas espécies, pensando e sentindo diferentemente.

Fernando Pessoa,
LIVRO DO DESASSOSSEGO,
Anotação de 30.12.1932

Wednesday, April 18, 2012

O amor de Pessoa

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa

e se Pessoa voltasse, como não ficaria surpreendido com as novas formas de comunicação ...

Thursday, May 20, 2010

Livro do Desassossego

Todos nós, que sonhamos e pensamos, somos ajudantes e guarda-livros num Armazem de fazendas, ou de outra qualquer fazenda em uma Baixa qualquer. Escripturamos e perdemos; sommamos e passamos; fechamos o balanço e o saldo invisivel é sempre contra nós.
Escrevo sorrindo com as palavras, mas o meu coração está como se se pudesse partir, partir como as cousas que se quebram, em fragmentos, em cacos, em lixo,que o caixote leva num gesto de por cima dos hombros para o carro do eterno de todas as Camaras Municipais.
E tudo espera, aberto e decorado, o Rei que virá, e já chega, que a poeira do cortejo é uma nova névoa no oriente lento, e as lanças luzem já na distancia com uma madrugada sua.

Bernardo Soares - Livro do Desassossego