Thursday, April 14, 2016

sacos de colostomia

Resultado de imagem para sacos de colostomiaResultado de imagem para sacos de colostomiaResultado de imagem para sacos de colostomiaHá três anos atrás, Luisa foi confrontada com um cancro colorectal. Fez quimioterapia e radioterapia. Surgiu uma fistula retovaginal e foi sujeita a oitenta sessões de Medicina Hiperbábica na tentativa de encerrar a fistula, enquanto paralelamente era operada e feita uma ileostomia provisória, isto é, isola-se o intestino, faz-se uma abertura no intestino delgado e as fezes passam a sair para um saco que se cola na barriga.
Até aqui , nada de especial apesar do diagnóstico de cancro , dos efeitos colaterais da quimio e da radio e do stress que o uso do bendito saquinho provoca por muito natural que possa parecer. Os doentes oncológicos são isentos do pagamento de taxas moderadoras, depois de passarem uma Junta Médica e este material é fornecido gratuitamente através dos Postos de Saude e com receita do Médico de Familia.
Luisa teve sempre o material a tempo e horas, nunca teve de dispender um centimo com a sua aquisição, já lhe bastava a sua incapacidade, a frustração da doença, a ansiedade e o temor do cancro que contraira, as limitações com a alimentação e a despesa com as deslocações às consultas e tratamentos.
Recentemente, num exame de rotina, o cirurgião confirmou que a fistula nunca encerrara e seria preciso nova cirurgia para  alterar a localização do saco - de iliostomia provisória passaria a colostomia definitiva, esta situada no final do intestino grosso para que fosse possivel fazer a digestão completa e a assimilação dos alimentos.
Foi internada, submeteu-se a essa cirurgia de alto risco e regressou a casa, para recuperar passados dez dias, sete dos quais sem comer nem beber, apenas soros e mais soros...
Pediu ao médico os comprovativos da nova situação , pediu novas receitas para o material e de acordo com a sua adaptação requisitou sacos de abertura fácil para os poder mudar e limpar sempre que necessário, tal como fazia quando tinha a iliostomia.
Por mais estranho que possa parecer, o pedido veio rejeitado com a indicação de que apenas os portadores de iliostomia podiam solicitar sacos de drenagem; os da colostomia eram forçados a usar sacos fechados para uma só utilização e que se deitam fora com o primeiro enchimento. Portanto, um processo mais dispendioso para a Administração Pública !
Que fazer, então ?

Vá ao seu Médico de Familia e peça para ele lhe alterar a declaração dizendo que foi sujeita a uma ileostomia definitiva ...


Sunday, April 3, 2016

Consulta de Estomaterapia

5º Aniversário da Consulta de Estomaterapia

No próximo dia 12 de Abril irão decorrer as comemorações do 5º Aniversário  da Consulta de Estomaterapia. O evento realizar-se-há no auditório do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca das 9h às 13h e pretende-se que seja aberto  a todos os profissionais do HFF, aos seus utentes e aos centros de saúde.
Objectivos:
  • Dar a conhecer a rede de apoio à Pessoa portadora de Ostomia;
  • Dismistificar o conceito de "ostomizado";
  • Dar a conhecer os projectos para o futuro;
  • Apresentar uma exposição fotográfica de Pessoas reais portadores de uma ostomia com uma história de superação subjacente.
Esta iniciativa está a cargo do grupo de trabalho de estomaterapia do HFF, que iniciou o projecto - Enfas. Manuela Honório, Dulce Oliveira, Raquel Alves, Sandra Matos, Sabrina Tavares, com a supervisão da Coordenadora da consulta, Enfa. Manuela Honório.
Irá ter a participação de :
  • Médicos (2) de referência da consulta;
  • Utentes chave;
  • Cooperativa que dá apoio na distribuição de materiais;
  • Laboratórios, que representam os materiais e dispositivos de ostomia;
  • Exposição fotográfica da pessoa com ostomia nas suas AVDs , no átrio do Hospital;
  • Exposição de pósteres relacionados com o tema e que foram apresentados quer dentro do Hospital quer fora em contexto de formação.
 Consulte PROGRAMA e CARTAZ

Contamos com a sua participação! Obrigada!

Saturday, March 12, 2016

Sashiko, o Museu do Oriente e o Palácio de Belém

O dia começou com um sol e uma temperatura deliciosos. Tinha -me inscrito num workshop no Museu do Oriente : Sashiko ou Alinhavos para bordar. Achei uma delicia, não só uma técnica muito interessante para ligação e decoração de tecidos mas também com ligações ancestrais  ao budismo. Há vários niveis de execução e decerto voltarei nos próximos.  A manhã passou célere a realizar um pequeno trabalho nesta arte.

Entretanto soubemos que o Palácio de Belém abria as portas  a quem o quisesse visitar. Já em tempos tentara  mas não cheguei a entrar e muito menos a ouvir o concerto. Hoje foi diferente. A fila era enorme mas ao fim de uma meia hora entrámos  sem problemas.
O pato nadava tranquilamente, absorto da multidão à sua volta, preocupado em gozar o sol e o dia primaveril.

A banda tocava para os visitantes  ao estilo de Glen Miller com composições  bem nacionais.

 O novo Presidente circulava por ali, calmamente, conversando com este e aquele, com a maior simplicidade e à vontade. Parece que se abriu um novo ciclo  na vida dos portugueses.
 Os repuxos produziam lindos efeitos, a água gotejando ao sol radioso.
Mas era tempo de voltar ao mundo exterior, de sair do Palácio e de regressar a casa. Foi um dia bem agradável, comprovando que mesmo em vésperas de mais uma cirurgia, é possível  manter a boa disposição e o ânimo, aproveitar cada momento que a vida tem para nos dar, sem derrotismos nem visões negativas. Quando estiver para entrar no Bloco e antes de adormecer com a anestesia, recordarei todos estes momentos que me trarão um despertar maravilhoso!

Friday, March 4, 2016

Fuga de gás

Paulo vai todas as noites dar uma volta com a sua cadela, como é usual os donos dos cães fazerem antes de dormir.
Ao regressar a casa sentiu um forte cheiro a gás no patamar do quarto andar onde mora. Alertou a mulher mas dentro de casa tudo estava normal, a filha de três anos dormia tranquilamente, os gatos também. Mariana decidiu descer ao primeiro piso e contactar o administrador do prédio que chamou o piquete de urgência. Passava das dez e meia da noite e nenhum dos outros dois inquilinos do quarto andar abriu a porta.
Chegou o piquete, fez as diligências necessárias e com aparelhos próprios detetaram que a fuga vinha do quarto esquerdo, onde mora uma senhora sozinha e um gato. Bateram de novo à porta. Nada, nem um sinal. 
Vieram de novo falar com o administrador pois nestes casos é necessário chamar a policia e os bombeiros. Temeu-se o pior que a senhora estaria já desmaiada, inconsciente e por isso não abria a porta. Tinha o carro estacionado o que não significava que estivesse em casa. Mas pelo menos o gato estaria lá dentro e a fuga de gás envolvia o prédio todo não apenas o apartamento onde se localizava. 
Voltou-se a tocar à porta com insistência, três, quatro vezes...
Por fim , respondeu incomodada por lhe terem tirado o sono. A senhora tem uma fuga de gás em casa, vai aí o piquete para resolver o assunto, não se assuste -disseram-lhe.
Efectivamente, deixara um bico do fogão aberto e a casa tresandava a gás. Mas a bela senhora desvalorizou o assunto e nem sequer agradeceu terem-lhe salvo a vida (e o andar). Ora , incomodarem-na àquela hora tardia por uma coisa de somenos importancia. Um simples bico de gás aberto que se calhar até teria sido o gato ...francamente !
O piquete passou o prédio em revista, fez um teste para despiste de gás, para segurança de todos. Quando sairam dali já passava da meia-noite deixando tudo em ordem. Só o administrador ainda estava a pé, não fosse preciso mais alguma coisa . Mal tinha acabado de adormecer, o telefone volta a tocar faltava pouco para a uma da manhã. Era da empresa do gás a saber se tinha corrido tudo bem , se os Técnicos tinham tido um  bom desempenho. Claro que sim , tudo correu bem mas não fosse o facto de Paulo sair à rua com a cadela ninguém daria conta  da fuga de gás .
 Um cão é sempre uma benção .
Na manhã seguinte, cruzaram-se com a dita inquilina do quarto esquerdo que apenas voltou a desvalorizar o assunto, sem um qualquer agradecimento ou desculpas pelo incómodo que causou.

Sunday, February 28, 2016

Neve na aldeia





e de repente, não mais que de repente a neve cobriu a aldeia, a serra , os caminhos...
começou por volta das quatro da tarde , sempre a nevar até depois do jantar , seriam umas dez horas
a televisão ficou sem sinal, tal a camada de neve que a antena tinha
não se podia andar na rua, não apenas pelo frio mas pela argamassa que a neve fazia na calçada
a estrada tornou-se escorregadia e perigosa para os carros
nada mais havia para fazer senão ficar à lareira, no aconchego da casa 

Wednesday, February 17, 2016

Sunday, February 7, 2016

Porto Brandão e o Lazareto

 O dia estava meio fosco, acinzentado com algumas abertas de sol. 
Decidimos ir até Belém ver o rio, ver os barcos.
 O mar estava calmo e não havia vento. E se apanhássemos o barco ?
 Há tanto tempo que não o fazemos ...
 Havia barco ao meio dia . Daí ao Porto Brandão são uns quinze minutos. 
Antigamente , apanhava muitas vezes o barco , em Belém, mas directa à Trafaria para  depois apanhar um autocarro atè à Caparica. Ainda não havia Ponte e nem tinha sequer idade para ter carro.
 Reparei no edificio em cima do morro que logo chama a atenção de tão abandonado que está , mas sobretudo pela localização e grandiosidade. Foi em tempos  um Lazareto, isto é :
 "Edifício próprio para as quarentenas, isolado e destinado a receber e a desinfectar as pessoas e os objectos provenientes de lugares onde reine uma doença epidémica ou contagiosa"
 Em 1867. o governo decidiu reconstruir o antigo edificio (do tempo de D Sebastião) atendendo às péssimas condições em que o mesmo se encontrava. Ali se introduziram os melhoramentos apropriados a estabelecimentos deste género, especialmente no serviço de desinfecção e de reverificação de bagagens, sendo a estufa destinada a este fim dotada dos aparelhos mais aperfeiçoados. Do Porto Brandão à antiga Torre Velha havia construções para a desinfecção, vigia e hospedagem. Em baixo, há uma doca que margina um cais onde estão os armazéns da alfândega. A seguir às arrecadações da alfândega por detrás delas, ao nível do cais, entre rochas a pique e a subida às quarentenas, estão os chamados armazéns, que são vastos recintos onde se penduram roupas e se abrem as bagagens destinadas à beneficiação, que é feita conforme a viagem. As beneficiações são pelo ar por meio de ventoinhas mecânicas, ou pelo calor nas estufas Geneste & Herscher, ou pelo ácido sulfuroso. A subida às quarentenas é por uma escada de mosaico e dali se desfruta um bonito ponto de vista, muito vasto, descobrindo-se um panorama de Lisboa, de grande efeito No alto está o hospital, enfermaria de isolamento com destino a enfermos suspeitos,
  A edificação semicircular está dividida em sectores, cada sector constitui uma quarentena, e cada quarentena é por assim dizer um hotel independente e isolado, com muita luz, muito ar, com livre entrada por muitas janelas, quartos de dormir, salas de jantar, tudo bem mobilado. A cada quarentena está anexo um pátio exterior mais ou menos ajardinado.A cozinha é um monumento célebre. Conta-se que na Península não há nenhuma que lhe iguale. Pode alimentar por dia 1.000 pessoas. E só o fogão monstro custou 1.000 libras esterlinas. As comunicações da cozinha com os isolados são feitas por meio do habitual sistema de rodas...(Portugal - Dicionário Histórico)
Era assim há cento e cinquenta anos . Entretanto o edifício degradou-se após um incêndio , deixando de ter a utilidade para a qual foi construído. No entanto , a Casa Pia de Lisboa alojou lá enquanto possível muitos retornados de África, após a independência das colónias.
Hoje, fica apenas  o abandono total, o cais vazio e o reflexo da pesca artesanal na calmaria do Tejo...