Era uma vez três primas : A, B e C. Levantavam-se de madrugada, mal o sol tinha despontado, preparavam um lanche e iam por aí fora, a pé, até à Barreirinha. B, a mais nova teria 6 anos. C era a mais velha, já andava no Liceu e teria uns 14 anos. Estávamos no Funchal dos anos 50, onde nada se passava para além dos turistas ingleses e dos emigrantes que vinham e iam para a Venezuela. Por isso , os pais e os tios não viam problema nenhum em as garotas irem sozinhas. A Barreirinha era então como a foto de cima descreve: uma praia de calhaus, tipicamente madeirense, com uma prancha de mergulhos e uma jangada que aqui não é visivel, por ser mais distante. Foi aqui que B aprendeu a nadar e para não ficar atrás , ia também até à jangada... Passavam assim as manhãs de verão, com hora marcada para estar em casa ao meio-dia. Não podiam falhar!
Nessa época, o Funchal era assim, mesmo na Avenida do Infante, talvez a principal, onde estava o Hospicio D. Amélia, os grandes hoteis, a Quinta Vigia e mais ao fundo a piscina do Lido , onde também iam , às vezes. Elvis era então o idolo e extasiavam a ouvir o "Only you"...
Passaram-se muitos anos, desde então. B não tornou ao Funchal nem à Barreirinha. Os destinos de cada uma cumpriram-se. C fez no sábado a sua última viagem de barco até Porto Santo, que adorava.
As suas cinzas foram espalhadas na Barreirinha actual, onde ficará a nadar para sempre, de acordo com a sua vontade


