Saturday, March 10, 2007

Noite mágica

Era noite de S. João, uma noite mágica para eles, a noite de 24 para 25 de Junho. O pai dela , de seu nome João sempre a festejara, tendo casado nesse dia . Eles também, há muitos anos atrás. Um amor diferente, uma relação diferente, porque eles próprios também eram diferentes…Foram colegas de Faculdade, de empresa, amigos, namorados , amantes e muito mais do que tudo isso junto. Não tinham filhos; os anos tinham passado e nenhuma gravidez tinha surgido. Já nem pensavam nisso…ela até nem era muito inclinada para bebés, achava-os insípidos e sem graça, preferindo as crianças mais velhas com quem gostava de inventar brincadeiras e fazer jogos. Mas nessa noite de S. João alguma estrela candente desceu à Terra e algo se transformou nela , uma nova vida nasceu. Deu por si a fazer análises, a ir ao ginecologista, a andar pela Maternidade nas consultas de Alto Risco, pois tinha passado há muito a idade de uma qualquer mulher normal ter filhos. Mas ela era diferente, sempre fora diferente, assumia-se assim desde que nascera. Quando começou o Outono teve de mudar o vestuário, algumas roupas ela própria as fez. Tal como fez os lençóis e muitas roupinhas para aquele novo ser que crescia dentro de si . J. voltara para Luanda, vindo a Lisboa sempre que possível, mas passou a maior parte da gravidez quase sempre só, mantendo a sua vida profissional, os seus afazeres, tratando do jardim e dos seus cães como até então. Andava mais devagar, custava-lhe mais a acender a lareira e a ir buscar a lenha, mas sempre o fez; deixou de conseguir cortar as unhas dos pés .O café sabia-lhe mal, o vinho branco e os camarões , também.
Na véspera do parto, foi às compras para deixar tudo em casa, não fosse ter de fazer uma cesariana e depois…sabia que não podia contar com ninguém…

Nessa quinta-feira de manhã, foram para a Maternidade. A médica disse-lhe que estava tudo bem , que fosse comer qualquer coisa simples e que voltasse. Pediu uma sopa, conversaram calmamente, ternamente, ela fez as últimas recomendações para ele não se esquecer disto ou daquilo. E entrou.
Já tinham combinado que seria assim, porque nos momentos difíceis ela preferia estar só, para se concentrar, Por isso, não queria assistência ao parto. Só desejava que não fosse de cesariana. Tudo correu normal, de repente soltou uma grito rouco, sem querer; a médica veio a correr , levaram-na para a sala de partos de maca , porque já não podia andar – a cabecinha estava já a aparecer, foi tudo muito rápido. Às 23.05H a sua menina estava cá fora, a olhar o mundo, em cima da sua barriga. Sentiu uma emoção muito grande mas levaram-na logo para a arranjar e só no outro dia a teve junto de si. Era linda!

Passaram oito dias , vieram a Lisboa à primeira consulta, foram ao registo, foram ao Aeroporto. J. embarcou de novo no avião. Ela meteu-se no carro e conduziu até casa, onde agora só havia os cães para a protegerem e fazerem companhia. Fechou a porta atrás de si e da filha e desatou a chorar…
Não teve tempo para depressões pós-parto, teve de reagir, de se adaptar a esta nova forma de vida. Amamentou a menina e cuidou dela da melhor forma que sabia. Nalgumas noites sentiu como que a presença de sua mãe , que se sentava no sofá, fazendo-lhe companhia, protegendo a neta. Mas devia ser impressão sua…um sonho , talvez. A menina foi crescendo , os laços entre elas foram-se estreitando cada vez mais , a cumplicidade também; à medida que a filha crescia ela sentia-se mais jovem, mais aberta, mais confiante, embora se mantivesse muito independente. Tinha visto cortar o cordão umbilical, tinha ajudado a filha a dar os primeiros passos, ajudou-a a levantar –se e a sacudir a terra dos joelhos cada vez que caiu ao chão, protegeu-a dos perigos mas ensinando-a a defender-se, sem a colocar numa redoma, libertando-a e respeitando as suas opções,sem nunca a prender, porque os filhos não nos pertencem , são deles próprios.
J. voltara definitivamente, há uns anos. Continuavam a festejar a noite de S. João, com a mesma magia de sempre . Era Um Amor Feliz!



34 comments:

  1. Um sorriso muito gostoso por tua história :)
    Beijinho

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  2. É esse o um dos segredos da maternidade... e essa é uma história que também vivi, não na primeira pessoa... mas, na segunda, se me entendes...
    Um beijo

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  3. O mistério da vida é sempre comovente, enternecedor. E feliz! Lindo post!
    Beijinhos

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  4. Depois de ter terminado com o "Postaias da Novalis" a 5 de Fevereiro, para me dedicar mais à astrologia, tenho aproveitado este tempo para desenvolver mais os conceitos evolutivos dos signos do zodíaco, como base elementar desta nossa reencarnação.

    Aqui fica o convite para conhecer melhor o signo onde está o seu sol de nascimento, assim como o dos seus familiares e amigos.

    Copie-os para o word, para melhor poder reflectir sobre o signo mais importante do seu zodíaco.

    Agradeço comentários no sentido de melhorar os textos, aprofundando-os.

    Um abraço,

    António Rosa

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  5. Uma história fantástica!!!
    Sou mãe e avó e estes momentos são únicos...
    Um bom domingo.
    Bjs

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  6. Que história tão comovente, talvez igual a tantas outras.
    Mas confesso que me emocionei.

    Este comentário é da MELGA.
    Vai aparecer outro nome porque não consigo postar com o mau.
    Não ligue.

    Beijocas.

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  7. Chego voando...parei para te ler...gostei de sentir tuas palavras...agora parto...no meu voo...
    Fica bem!

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  8. Que maravilha!

    Beijinhos e boa semana*

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  9. Adorei a história! Beijos da Ursa :))

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  10. onde não houver NORMOSE as noites são mágicas e a VIDA acontece...

    beijos para ti e boa semana

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  11. marian

    uma história de encantar sim, de uma menina que ´fazia anos naquele dia !

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  12. jonice

    retribui-se sorrisos por aqui

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  13. meg

    não importa se é na 1ª se na 2ª pessoa, importante é viver.

    Um beijo para ti

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  14. casa da matilde

    um beijo e bom dia para ti

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  15. antonio rosa

    já fui ver mas há diversos aspectos que discordo em absoluto, nomeadamente as jóias e as bujigangas que detesto, não uso nunca anéis nem fios nem relogios nem colares nem...

    E quanto a domarem-me ...só se fôr no infinito dos oitos com que nasci : nem pai nem patrão nem marido nem filho nem ninguèm! Até já fiz uma greve de zelo durante vários meses quando deixaram de me distribuir trabalho e me proibiram de contactar fosse com quem fosse nos serviços . Pois ...cumpri horário - nuunca fui tão pontual nas entradas e saídas - e permanecia sentada no meu poiso, contemplando os outros. Um dia , fui convocada para ir ao super-big-boss o supremo hierárquico , altissimo representante do país que era o dele, tido por preservar a igualdade, fraternidade e a liberdade. Vesti-me um pouco melhor do que o habitual de um dia de trabalho mas com simplicidade, alisei a juba que nunca foi esgroviada mas de cabelo curto e fino e não me deixei intimidar pela enormidade do salão de audiencias, pelo distanciamento das cadeiras de pés dourados e forro de veludo, pela lingua que não era a minha, por um desconhecido plenipotenciário...
    Olhei-o nos olhos, cumprimentei-o com a deferencia que a politesse obriga - e a nobreza - e entabulámos conversa.
    Quiz saber das minhas razões e do meu relato dos acontecimentos. Olhou-me nos olhos e sorriu para mim...
    Quando cheguei ao meu gabinete , já tinha o trabalho à minha espera!
    Domar Leões? Os leões esperam calmamente a altura ideal para darem o salto, para lançar o seu grito de guerra, mesmo q tenham de se manter silenciosos e inactivos durante largo tempo. Depois, a vitória é certa !

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  16. fernanda

    Sou mãe apenas e esta história veridica , enternece-me, sem dúvida!!

    Um beijo

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  17. MELGA - a. pacheco

    coisas da blog

    por isso mesmo mudei o meu antes que fosse tarde...
    espoero q resolvas rapidamente o problema - dás mais um jeito e depois já será possivel comentar e fazeres posts no novo blog

    beijinhos para ti

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  18. dairhilail


    bons voos por aí , então

    deves ter chegado com as andorinhas

    beijos

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  19. maria p

    ainda bem q gostaste

    boa semana para ti tb , que a minha vai ser acelerada!!

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  20. angela

    tu tb tens histórias lindissimas .

    beijos para ti , linda

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  21. avelana

    Normoses ??
    sofro pouco disso, mas aonselho a leitura do texto que j+a fui espreitar...costumo andar sempre pelos caminhos não rotineiros e não ponho açucar, nem gosto de pão branco, mas deste aqui de Mafra ou do escuro de centeio e alguns de sementes...como em tudo, gosto de variar

    beijinhos

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  22. Greentea

    Respondi-te no Sol de Domingo, com grandes pormenores.

    Um abraço.

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  23. Greentea, ´
    ... és das minhas!
    Adorei esse grito do Ipiranga.
    Amarras, sujeição, cabeça baixa,
    são palavras que não fazem parte do nosso vocabulário...
    Como te admiro...

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  24. Maravilhosa esta enternecedora história!

    Um beijhinho
    do Pepe.

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  25. Logo que comecei a ler, percebi. Sério. Tal a empatia. Quem me dera ter podido ajudar-te! Dava-te uma massagem nos pés. Fiz muitas coisas sozinha, grávida e depois, mas não tanto. Uma felicidade, sabemos, fazemos, construímos. Parabéns MÃE!!!
    (olha, vai ao site dos parques de Sintra, Monte da Lua, vão iniciar a Primavera lá...lembrei-me que estarás perto...in my name...) Bjinho, linda

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  26. que bella la historia, siempre un lindo post
    te dejo un abarzo grande y una linda semana
    besitos


    besos y sueños

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  27. Depois de ter ido à loucura (pos abaixo) li a tua história..vida...falas de Vida e Amor...

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  28. Pois é amiga, o advogado continua a sua vidinha sem nenhuma chatice...e também eu acho que não se pode tocar na pensão...neste caso, como é abaixo do salário mínimo nada se pode tirar...mas é o que EU e TU achamos...

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  29. Penso que a coisa mais bonita que pode acontecer a uma mulher é ser Mãe, gerar uma vida que se deseja dentro de nós é algo divino.
    Espero ainda vir a sentir a passar por esta experiência maravilhosa.
    Por tudo o que acabei de escrever, só posso dizer que gostei muito da tua história.
    beijinhos

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  30. isabel maria teixeira dos santos

    não consegui aceder ao teu blog , mas respondo-te aqui:

    não creio que seja uma experiencia gratificante para certas mães que nem são dignas desse nome. Não achei grande graça estar grávida, embora haja mulheres q adorariam estar permanentemente grávidas, isso alterou o meu ritmo de vida e impedia-me de fazer coisas q sempre estivera habituada a fazer.
    Depois do momento do parto, a bebé foi para o bercário e eu passei a noite só, com muito frio, hemorragias e sem ter descansado grandemente. De manhã , mandaram-me tomar um duche rápido e andar - senti tonturas e voltei para a cama. A menina já lá estava , a dormir... Olhei-a melhor, sem lhe tocar, considerando que era uma desconhecida que ali estava, que não sabia como a tratar, como lhe dar de mamar ou limpar o umbigo, o que significava o seu choro. Ela pareceu entender isso e facilitou-me a tarefa e fomos construindo assim a nossa relação.
    Como se questiona Elisabeth Badinter quem pode garantir que seja bem sucedido este "Amor IncertO" ?

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  31. Tu...quem és? que és sempre como eu acho que és? E dizes tantas vezes o que eu penso...Para quando a grande surpresa, eu gosto de preto/tu gostas de branco!
    ('tou mesmo a ver que gostamos do arco-íris!) Bjinho

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  32. bettips

    podes ter a certeza, adoro arco-iris e gosto de tudo preto no branco!

    Fora disso, cores fortes, poucas dessas deslavadas que não lhes acho graça. Sou leoa, para quem não sabe e pelop nosso passado parece que vivemos nas mesmas zonas
    Praçade Londres/Guerra Junqueiro/ Av de Roma durante vinte anos , depois Africa , depois Sintra.
    Eu sou aquela...

    beijinhos para ti,

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