Friday, September 12, 2008

O nardo





Era uma tarde quente de Agosto. O nardo estava ressequido com as folhas murchas e amarelas. Passaram anos desde que a antiga dona o acarinhava e regava, consolando-o com palavras doces, murmuradas em voz baixa.


Depois que ela morrera, a casa fora deitada abaixo e reconstruida, vinham agora os filhos e os netos de vez em quando ,mas o nardo , esse passava muitos e muitos dias de solidão sentindo a saudade das mãos que outrora o acarinhavam.


Então , ela chegou e reparou na secura dele, na tristeza que o consumia. Primeiro, deu-lhe água fresca para o alimentar; depois partiu-o em três : um vaso ficou naquela casa em que sempre estivera, outro foi para uma neta e outro levou-o consigo lá para Sintra.


Amorosamente, tratou dele e o bolbo deu folhas e flores lindissimas, de um perfume maravilhoso, semelhante ao jasmim , seu vizinho. Nunca antes tinha tido nardos nem lhe conhecia as caracteristicas. A planta que antes era da sogra, revivia agora na sua casa, inundando-a de paz e amor.


Para saber mais sobre o significado dos nardos, veja aqui


O coração, se pudesse pensar...


"O coração, se pudesse pensar, pararia."
"Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também."
Bernardo Soares

Tuesday, September 9, 2008

lágrimas


Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso.


Não choro por nada que a vida traga ou leve.


Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar.


Fernando Pessoa

Sunday, September 7, 2008

manhã de praia


Olhando o mar, sonho sem ter de quê
Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?
Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.
As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, 'star em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.
Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.
Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?
Fernando Pessoa

Friday, September 5, 2008

Paisagem de Chuva



Toda a noite, e pelas horas fora, o chiar da chuva baixou. Toda a noite, comigo entredesperto, a monotonia liquida me insistiu nos vidros. Ora um rasgo de vento, em ar mais alto, açoitava, e a água ondeava de som e passava mãos rápidas pela vidraça; ora com som surdo só fazia sono no exterior morto. A minha alma era a mesma de sempre, entre lençois como entre gente, dolorosamente consciente do mundo. Tardava o dia como a felicidade - áquela hora parecia que também indefinidamente.Se o dia e a felicidade nunca viessem! Se esperar, ao menos, pudesse nem sequer ter a desilusão de conseguir.O som casual de um carro tardo, áspero a saltar nas pedras, crescia do fundo da rua, estralejou por debaixo da vidraça, apagava-se para o fundo da rua, para o fundo do vago sono que eu não conseguia de todo. Batia, de quando em quando, uma porta de escada. Ás vezes havia um chapinhar liquido de passos, um roçar por si mesmos de vestes molhadas. Uma ou outra vez, quando os passos eram mais, soava alto e atacavam. Depois, o silêncio volvia, com os passos que se apagavam, e a chuva continuava, inumeravelmente. Nas paredes escuramente visiveis do meu quarto, se eu abria os olhos do sono falso, boiavam fragmentos de sonhos por fazer, vagas luzes, riscos pretos, coisas de nada que trepavam e desciam. Os móveis, maiores do que de dia, manchavam vagamente o absurdo da treva. A porta era indicada por qualquer coisa nem mais branca, nem mais preta do que a noite, mas diferente. Quanto á janela, eu só a ouvia.Nova, fluida, incerta, a chuva soava. Os momentos tardavam ao som dela. A solidão da minha alma alargava-se, alastrava, invadia o que eu sentia, o que eu queria, o que ia sonhar. Os objectos vagos, participantes, na sombra, da minha insónia, passam a ter lugar e dor na minha desolação. (in Bernardo Soares)

Thursday, September 4, 2008

Rose

Rose tratava-lhe das mãos e dos pés há já algum tempo. Era alegre e bem disposta, mas tinha uma vida dificil e nem sempre a patroa lhe pagava o ordenado a tempo e horas, até atendia em casa aos domingos e à noite para fazer mais uns trocos. Por vezes conversavam durante as sessões, outras ficavam cada uma a cojitar nas suas vidas.
Um dia , Rose perguntou-lhe a medo se por acaso não teria uns garfinhos a mais lá em casa , pois não tinha talheres para os meninos comerem. Arranjou-lhe pratos, talheres e copos e umas canecas para o leite. Rose agradeceu sorrindo e nesse dia não cobrou nada pelo verniz das unhas...
Passado tempo, arranjou alguma roupa e brinquedos para as crianças. E encheu-se de coragem, sem querer magoar Rose, para lhe perguntar se não precisava de roupa de cama ou outras coisas.
O rosto de Rose iluminou-se : "Será que podia me arranjar cobertor , que nem tenho nada para cobrir, este Inverno passei tanto frio ...? " E Rose mostrou-lhe a casa : não tinha nem lençois nem cobertores e seus filhos dormiam na mesma cama, ele com nove anos e a menina com cinco. Ela voltou com lençois e cobertores e pijamas para todos, Rose quase chorava de emoção.
Fez-lhe ainda mais um pedido : "Será que lá nessa organização não podiam arranjar uma caminha para a menina dormir e um armário para as roupas".
Vamos tratar disso em Setembro, fique descansada.
Rose vai ter os seus pedidos realizados . Mas tudo isto foi possivel graças a uma instituição que recolhe aqueles bens que todos nós temos e já não queremos, para os distribuir por pessoas carenciadas. Saiba em http://www.bensutilidadesocial.pt/pages/homepage.php como colaborar com eles, dar destino a móveis e objectos que já não quer de forma a que ainda sejam úteis para quem deles necessita e não pode comprar.
E veja muitos rostos cheios de sorrisos !

Monday, September 1, 2008

ABANDONO NÃO RIMA COM DONO





SOS Animais
Ele nunca o abandonaria... "Acredito que os cães podem falar, mas para não se envolverem nas mazelas humanas, preferem latir."
Victor Hugo


PARTICIPE NA CAMPANHA PELOS ANIMAIS ABANDONADOS
Agora já não é preciso ser Verão. Em todo o lado, em qualquer altura, são abandonados centenas e centenas de cães. Não há um olhar para trás, não há preocupação, não há nada por parte dos donos.
Seja em Portugal ou em qualquer parte do mundo.
Animais de raça, rafeiros, pequenos e grandes...
É uma crueldade sem fim que deixa desamparado quem verdadeiramente tem sentimentos pelos animais, quem os quer ajudar, quem dá o que pode por ver uma cauda e muitas caudas a abanar.
É uma batalha enorme. Muitas pessoas dão tudo de si pelos animais por causa de muitas que não quiseram saber. Pessoas que pura e simplesmente não percebem que um cão ou um gato fazem parte da família!
Vivemos num país onde são abandonadas crianças. Há pessoas que tem até coragem de abandonar um filho.... Fará o que fazem aos animais... Em Portugal, não são só animais. Acredito que aconteça muito do mesmo nos outros países. São crianças e são idosos. O Ser Humano consegue ser EGOÍSTA, INGRATO, INFIEL, FRIO, CALCULISTA! Consegue ignorar o órgão que lhe dá a vida e por vezes não percebo porque é ele bate....se não tem sentimentos...
Felizmente, posso contrastar os dois tipos de Seres Humanos que vou conhecendo ao longo da vida.

Concurso Wecare4animals: A divulgação de vídeos de associações
Este é o mais recente projecto wecare4animals.Com este concurso pretende-se que seja eleito, pelos nossos visitantes e outras pessoas amigas dos animais ou que estejam interessadas, o vídeo que mais sensibiliza para a causa animal.Estão presentes a concurso 8 associações.Clique aqui para ver os vídeos e saber mais sobre o concurso.A votação acaba a 4 de Outubro e a associação vencedora receberá o donativo de 2,50. Não é muito, mas é o que podemos oferecer.
Quer associar-se a este projecto e ajudar também?
Como pode ajudar para além da votação?
- Divulgando esta iniciativa;
- Associando-se a ela oferecendo também um donativo à associação vencedora.
Mande-nos um e-mail para: wecare4animals@hotmail.com
Muito obrigada!Ajude a ajudar!Vote no questionário em baixo!Eles agradecem...

Qual o vídeo que acha que apela mais à sensibilização para c/os animais?Veja os vídeos aqui:http://wecare4animals.blogspot.com/2008/05/concurso-wecare4animals-divulgao-de.html

Abandono não rima com dono!