Preparava-me para sair, já não ouvia bulicio nos outros gabinetes quando toca o telefone. Um caso urgente que não podia deixar de atender : Era a miúda em apuros com um relatório para a Fac. Está a fazer um projecto sobre Energias Alternativas e queria explicações sobre a factura da EDP (e a potência contratada? e as horas de vazio? e as de ponta?) Expliquei-lhe o melhor que podia que se há coisas que detesto é analisar as facturas da luz e percebê-las deve ser caso para sobredotados ...Bem , lá saí, fui comprar qualquer coisita simples para o jantar que já era tarde. Preparei rápido um bobó de camarão , abrimos um João Pires a condizer com a data e o homenageado e fomos directos a Sintra, ainda não tinha anoitecido.
O Concerto era no Palácio da Vila, na Sala-dos-Cisnes . Piano , apenas piano espectacularmente tocado pelo Denis. Deslumbrante, fabuloso, inebriante !! e tudo o mais que possam imaginar, que não há palavras.
Nesta Sala, senti-me transportada na noite dos tempos às épocas reais , quando D. Manuel mandou construir esta ala do Palácio e qual Rainha por uma noite vi-me sentada num qualquer trono (embora as cadeiras fossem pouco confortáveis), acompanhada em extâse pelo seu Rei, completamente alheada dos outros súbditos que enchiam a sala e escutavam em extâse o som vibrante das teclas. No final , muitas ovações , que o russo agradeceu com largos sorrisos, deliciando-nos com mais quatro peças, coisa pouco habitual nestas lides em que o concertista por vezes apenas se atreve a expôr-se uma vez mais.
Uma noite de maravilha, em Sintra! À saída, destacava-se o Palácio dos Mouros todo iluminado lá no cimo , mas envolto em grossas nuvens cinzentas , recordando a faceta mágica/mística da nossa Serra!
















