Friday, May 30, 2008

estéticas


Ela é nova e sem emprego; "ajuntou-se " com um caboverdiano que lhe bate todos os dias e a insulta porque ela tem nádegas de branca ... Luisa que tudo faz para agradar ao tal do mulato, decidiu-se a fazer uma estética para reconverter o trazeiro ao formato de uma raça que não é a sua para cair em graça do maisquetudo... que além do mais não trabalha.

A mãezinha dela custeou a operação de charme para fazer face à angústia latente da filha. Os implantes nadegais infectaram dada a proximidade do anus, com todo o desconforto que isso implicará. Está a ser tratada e medicada e a recuperar lentamente. Não sei se o tal do caboverdiano se acalmou ou se se dignou sequer mirar-lhe o novo look em formato diferente. Não creio. Mas fico perplexa com estas novas formas de amor aos bocados, esta loucura de se deixar martirizar e ofender, de entender certas mães que colaboram neste desvario, abdicando do seu estatuto para dizer simplesmente à filha que cultive a sua auto-estima e dê o fim para uma relação mais que doentia.

Monday, May 26, 2008

slow food




O Terra Madre é um projeto concebido pelo Slow Food, fruto da sua evolução e que tem atualmente o seu ponto fulcral na convicção que “comer é um ato agrário e produzir é um ato gastronómico”. O Slow Food bateu-se, desde sempre, pelos prazeres da mesa e pelos produtos bons e defendeu as culturas locais da crescente homogeneização imposta pelas lógicas consideradas modernas de produção, distribuição e economia de escala. E foi exatamente aprofundando estas lógicas que o Slow Food se apercebeu de quanto fosse necessário proteger e apoiar os pequenos produtores, mas também mudar o sistema que os prejudica, juntando os diferentes intervenientes com poder de decisão: consumidores, institutos de formação, chefes e cozinheiros, entidades de investigação agrícola, organizações não governamentais... Tornou-se evidente que se podia ter um impacto significativo apenas multiplicando e acumulando acções locais que seguissem uma visão global.

Assim nasceu o Terra Madre: para dar voz e visibilidade aos agricultores, pescadores e criadores que povoam o nosso mundo. Para aumentar, nas comunidades de produtores e na opinião pública, a consciência de quanto é precioso o seu trabalho. Para dar aos produtores mais algumas armas para poderem continuar a trabalhar em condições melhores, para o bem de todos e do planeta. Por estas razões, construir uma rede mundial – que dispusesse de instrumentos de partilha de informação e que oferecesse a possibilidade de aprender com as experiências alheias e de colaborar com os outros – pareceu fundamental. O nosso objectivo é continuar a ter terras férteis, onde germinem e cresçam plantas e animais adaptados a esses ambientes em particular, em vez de serem dopados com substâncias químicas que os fazem produzir ou engordar artificialmente. O nosso objectivo é continuar a ter pessoas que protejam as terras, saberes e alimentos que têm o gosto da nossa infância.

saiba mais sobre o projecto terramadre

Saturday, May 24, 2008

dia da obesidade






Palavras para quê ????

Monday, May 19, 2008

O duche


Elas vêm de manhã e ao fim da tarde - sabem que por ali há sempre comida fresca, migalhas, restos de pão ou biscoito; sabem que ninguém as prende nem as perturba nos seus rituais. Por vezes, vêm apenas para comer, outras ficam por lá a descansar , algumas até escandalosamente ficam de namoro, como se a casa fosse delas...
Chovia naquela manhã , enquanto tomava o pequeno almoço. Reparou numa que estava em cima do gradeamento. Levantou uma das asas, esticando-a bem e inclinando-se para o lado oposto; depois, fez o mesmo com a outra asa, abrindo-a completamente e inclinando-se para o lado contrário para que a chuva penetrasse pelo lado interior, digamos que a "axila". A rola estava simplesmente a fazer a sua higiene, tomando um duche matinal !

Wednesday, May 14, 2008

As mulheres da minha geração





AS MULHERES DA MINHA GERAÇÃO
É o único tema em que sou radical e intolerante. Aquele em que não escuto razões: as mulheres da minha geração são as melhores. E ponto final!
Hoje têm quarenta e muitos anos ou cinquenta e tal, e são belas, muito belas, porém também serenas, compreensivas, sensatas e sobretudo diabolicamente sedutoras, isto, apesar dos seus incipientes pés-de-galinha ou desta afectuosa celulite que habita as suas coxas, mas que as fazem tão humanas, tão reais. Formosamente reais.
Quase todas, hoje, estão casadas ou divorciadas, ou divorciadas e casadas, com a intenção de não se equivocar no segundo intento, que às vezes é um modo de acercar-se do terceiro e do quarto intento. Que importa? Outras, ainda que poucas, mantêm um pertinaz celibatarismo, protegendo-o como uma fortaleza sitiada que, de qualquer modo, de vez em quando abre as suas portas a algum visitante. Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!
Nascidas sob a era de Aquário, com influência da música dos Beatles, de Bob Dylan, de Lou Reed, do melhor cinema de Kubrick e do início do boom latino-americano, são seres excepcionais. Herdeiras da "revolução sexual" da década de 60 e das correntes feministas que, no entanto, receberam passadas por vários filtros, elas souberam combinar liberdade com coqueteria, emancipação com paixão, reivindicação com sedução. Jamais viram no homem um inimigo, apesar de lhe cantarem algumas verdades, pois compreenderam que a sua emancipação era algo mais do que pôr o homem a lavar a louça ou a trocar o rolo do papel higiénico. Decidiram pactuar para viver em casal com o seu parceiro, essa forma de convivência que tanto se critica, mas que, com o tempo, resulta ser a única possível, a melhor pelo menos neste mundo e nesta vida.
São maravilhosas e têm estilo, mesmo quando nos fazem sofrer, quando nos enganam ou nos deixam. Usaram saias indianas aos 18 anos, enfeitaram-se com colares andinos, cobriram-se com suéteres de lã e perderam a sua parecença com Maria, a Virgem, numa noite louca de sexta-feira ou de sábado, depois de dançar El Raton de Chéo Feliciano, na Terra Corrida ou em Quiebracanto com algum amigo que lhes falou de Kafka, de Gurdjieff e do cinema de Bergman.
No fundo das suas mochilas traziam pacotes de rouge, livros de Simone de Beauvoir e cassetes de Victor Jara, e, ao deixar-nos, quando não havia mais remédio senão deixar-nos, dedicavam-nos aquela canção de Héctor Lavoe, que é ao mesmo tempo um clássico do jornalismo e do despeito, que se chama “Teu Amor é um Jornal de Ontem”. Vestiram-se de luto pela morte de Julio Cortázar, falaram com paixão de política e quiseram mudar o mundo, beberam cuba libre e aprenderam de cor as canções de Sílvio Rodriguez e de Pablo Milanez, conhecerem os sítios arqueológicos de San Agustin e Tierradentro (nessa época podia ir-se sem temor para a guerrilha, que nostalgia!), foram com seus namorados às praias do parque Tayrona, dormindo em barracas e deixando-se picar pelos mosquitos, porque adoravam a liberdade, algo que hoje inculcam aos seus filhos, o que nos faz prever tempos melhores e, sobretudo, juraram amar-nos por toda a vida, algo que sem dúvida fizeram e que hoje continuam a fazer na sua formosa e sedutora maturidade.
Souberam ser, apesar da sua beleza, rainhas bem-educadas, pouco caprichosas ou egoístas. Deusas com sangue humano. O tipo de mulher que, quando lhe abrem a porta do carro para que suba, se inclina sobre o assento e, por sua vez, abre a do seu companheiro por dentro. A que recebe um amigo que sofre às quatro da manhã, ainda que seja seu ex-noivo, porque são maravilhosas e têm estilo, ainda que nos façam sofrer, quando nos enganam, ou nos deixam, pois o seu sangue não é suficientemente gelado para não nos escutar nessa salvadora e última noite, na qual estão dispostas a servir-nos o oitavo uísque e a colocar, pela sexta vez, aquela melodia de Santana.
Por isso, para os que nascemos nas décadas de 40 a 60, o dia da mulher é, na verdade, todos os dias do ano, cada um dos dias com suas noites e seus amanheceres, que são mais belos, como diz o bolero, quando estás tu.
Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!
Santiago Gambôa, escritor colombiano

Tuesday, May 13, 2008

Morte e Vida

A morte pertence à vida, como pertence o nascimento.
O caminho tanto está em levantar o pé, como em pousá-lo no chão"
Rabindranath Tagore, filósofo e escritor indiano, Nobel de Literatura de 1913

Saturday, May 10, 2008

Cerejas


A vida é uma cereja
A morte um caroço
O amor uma cerejeira.

um poema de Jacques Prévert
Comi cerejas hoje pela primeira vez este ano.!!