Pela primeira vez viu-o mais de perto. Nunca imaginara! Repugnáva-lhe pensar como alguma mulher se poderia deitar ao lado dele. Gostaria de saber utilizar um outro tipo de linguagem para o descrever, para descrever este tipo de subcriatura humanóide, que lhe metia nojo. Mas as palavras faltavam-lhe.
Fitou-o nos olhos sem dizer uma palavra, sem retorquir aos comentários que ele fez. Olhou-o apenas. Sabendo que ele tinha mais uma vez espancado os cães, que os tinha encurralado debaixo da churrasqueira e depois disso ainda foi abrir o jacto da mangueira e os encharcou até aos ossos naquele fim de tarde gélido..
O especimen humanóide estava em tronco nú, encalorado decerto com a violência que acabara de praticar. Não tinha apenas os piercing na cara e nas orelhas. Usava um na ponta de cada mamilo. Não sei se usará em mais algum lado. A amante /namorada/companheira contemplava-o. Talvez desconhecendo ou ignorando simplesmente que a violência doméstica começa por ser praticada em animais e que há uma forte conexão entre maus tratos a animais e agressões a mulheres e crianças. Talvez nunca tivesse lido nada
e assim continuava a conviver e a dormir tranquila ao lado daquele omnideo de infima espécie que tanta carência tinha em se adornar em certas zonas, expressando assim a sua manifesta impotência sexual depois de consumir toda a sua vitalidade e energia nos maus tratos à gata e aos dois cães de formato mini. Talvez não soubesse que estes crimes podem ser denunciados. Que existe legislação. Que existe uma campanha da
ANIMAL ou que a
SEPNA foi criada para ocorrer a estas situações.
Mas se ela não actua, alguém o fará por ela !