Thursday, May 31, 2007

PARA QUE CONSTE...

Tribunal absolve mulher que matou o
marido devido a maus tratos
31.05.2007 - 16h32 Lusa

O Tribunal de S. João Novo, no Porto, absolveu hoje uma sexagenária que matou o marido depois de ter sido vítima de maus tratos durante quatro décadas, numa decisão saudada com palmas pelas pessoas que assistiam à leitura da sentença.
Na leitura da sentença, o juiz-presidente do colectivo da 4ª Vara de S. João Novo, João Grilo, considerou que a mulher, Maria Clementina, agiu em legítima defesa e que evitou tornar-se em mais uma vítima de violência doméstica.
O magistrado disse que este ano já morreram em Portugal 39 mulheres vítimas de violência doméstica e considerou que Maria Clementina poderia ter sido mais uma.
O presidente do colectivo disse ainda que o novo enquadramento legal dos crimes de violência doméstica — que passaram de crimes semipúblicos a crimes públicos (não dependem de queixa para ser investigados) — "vale zero para os tribunais".
Pediu, por isso, uma reavaliação do quadro punitivo destes crimes. Na avaliação do colectivo, a mulher agiu "sob forte pressão psíquica" na sequência de quatro décadas de maus tratos, comportamentos que se estenderiam também às duas filhas do casal.
Marido morto com um machado de cozinha
A agressão fatal ocorreu em Setembro de 2004, na zona de S. Roque da Lameira, no Porto, e foi perpetrada com um machado de cozinha.
Na altura do crime, a arguida e as suas duas filhas estariam a ser ameaçadas pelo marido com uma foice. Segundo o juiz-presidente, foi "um episódio tremendamente traumático" numa família "completamente disfuncional". No entender do magistrado, a arguida e as suas filhas viviam numa situação de "quase esclavagismo". Para descrever o comportamento violento da vítima, o colectivo recordou um testemunho em tribunal segundo o qual o homem chegou a agredir um vizinho no rosto com uma chave de fendas, "por motivos fúteis".Ministério Público admitiu existência de maus tratos
O Ministério Público (MP) já tinha admitido que o homicídio surgira na sequência de maus tratos que o homem teria infligido à mulher e às filhas, ao longo de vários anos. Estas razões determinaram que o MP enquadrasse o crime no tipo de homicídio menos gravoso, o chamado "homicídio privilegiado", punível com pena de prisão de um a cinco anos. Segundo o Código Penal, o homicídio privilegiado é imputável "a quem matar outra pessoa dominado por compreensível emoção violenta, compaixão, desespero ou motivo de relevante valor social ou moral, que diminuam sensivelmente a sua culpa". No final da leitura do acórdão, a arguida disse esperar que a sentença aplicada ao seu caso seja "um exemplo". Acrescentou que não poderia ter denunciado os maus tratos que sofria, "senão era pior".

Wednesday, May 30, 2007

como pintar um pássaro


Como pintar um pássaro
Jacques Prévert
Tradução-Homenagem: Carlos Drummond de Andrade

Pinte primeiro uma gaiola com a porta aberta.
Em seguida pinte alguma coisa graciosa,alguma coisa simples,
alguma coisa bonita, alguma coisa útil...ao pássaro.
Depois, coloque a tela contra uma árvore
no jardim,no bosque ou na floresta
e esconda-se
atrás da árvore sem dizer nada, sem se mexer.
Às vezes o pássaro chega logo,
mas pode levar muitos, muitos anos
até se resolver. Não desanime, espere.
Espere, se preciso, durante anos.
A velocidade ou a lentidão da chegada
do pássaro, não tem a menor relação
com a qualidade da pintura.
Quando ele chegar
(se chegar) mantenha o mais profundo silêncio,
espere que ele entre na gaiola. Depois que entrar,
feche lentamente a porta com o pincel.
Aí então apague uma por uma todas as varetas.
(Cuidado para não esbarrar em nenhuma pena do pássaro.)
Finalmente pinte a árvore, reservando o mais belo de seus ramos ao pássaro.
Pinte também a verde folhagem e a doçura do vento,
a poeira do sol, o rumorejo dos bichinhos da relva no calor da estação.
Depois aguarde que o pássaro se decida a cantar.
Se ele não cantar , mau sinal: sinal de que o quadro não presta.
Mas bom sinal, se ele canta: sinal de que você pode assinar o quadro.
Então retire suavemente uma pena do pássaro
e escreva o seu nome a um canto do quadro.

Tuesday, May 29, 2007

Numa rua perto de mim...


Oiço gemidos e lamentos de cachorros, aflitivos....
Do outro lado do passeio , uma carrinha pintada com os anuncios da marca eukanuba (comida para cães e gatos), ao laddo uma carrinha maior da MRW (firma que se dedica ao transporte urgente de encomendas , porta a porta)
O choro era de uns cachorros que estavam enjaulados numa caixa de transporte de gatos , das pequenas, e onde não estava apenas um cachorro mas mais porque a jaula estava cheia de bolas de pelo branco. O suposto dono , que se dedica ao comércio de gatos e cães e frequentemente os tem em jaulas dentro da dita carrinha, ao sol e ao frio, pegou na jaula e entregou-a ao transportador da mrw...
Não sei o destino, a distancia nem os kms que aqueles desgraçados vão fazer e a quem serão entregues. Mas li há dias que tinha sido aprovada legislação em Bruxelas contra o transporte e comércio de animais vivos, pela Europa.
Ainda hoje recebi um outro apelo , por mail, contra barbaridades praticadas em animais e ao qual vou dar o devido tratamento. Mas há que não esquecer, que estudos e análises feitas em quem maltrata animais, demonstram que estes são prenúncio de outros crimes mais horrendos praticados em crianças e jovens.
Até quando ?....
Para quando legislação apropriada e eficaz para maus tratos e tortura animal ?....

Saturday, May 26, 2007

deixar as coisas pela metade...



O Gato e o pássaro
Uma cidade escuta desolada
O canto de um pássaro ferido
É o único pássaro da cidade
Que o devorou pela metade
E o pássaro pára de cantar
O gato pára de ronronar
E de lamber o focinho
E a cidade prepara para o pássaro
Maravilhosos funerais
E o gato que foi convidado
Segue o caixãozinho de palha
Em que deitado está o pássaro morto
Levado por uma menina
Que não pára de chorar
Se soubesse que você ia sofrer tanto
Lhe diz o gato
Teria comido ele todinho
E depois teria te dito
Que tinha visto ele voar
Voar até o fim do mundo
Lá onde o longe é tão longe
Que de lá não se volta mais
Você teria sofrido menos
Sentiria apenas tristeza e saudades

Não se deve deixar as coisas pela metade...
Poema de Jacques Prévert

Friday, May 25, 2007

a vida é ...

A vida é uma cereja
A morte um caroço
O amor uma cerejeira.
um poema de Jacques Prévert

Criada a Confraria da Cereja mais ...



Tuesday, May 22, 2007

Com um brilhozinho nos olhos


Com a luz nos olhos, vê a luz nos outros.
Olha para o sol, com o sol dos teus olhos.
Faz a dança da luz em teu ser.
O teu coração é um sol.